Política

Abadá da Bala

abadabala

É especialmente ridículo, e particularmente revelador, quando um verdadeiro escroto tenta se redimir. Veja o caso do governo de São Paulo.
Depois de brutalizar a população, defender a ação da PM e de ser amplamente denunciado por sua fúria, a qual conclusão chega o Palácio dos Bandeirantes? A de que precisa ser mais cuidadoso com… jornalistas!

É que Folha, Estadinho, Jabor, Datena, Resende pediam mais rigor, um basta definitivo aos baderneiros que davam a cara na rua. Governo e PM ganharam um cheque em branco da grande mídia: pode bater que a gente segura daqui. Só esqueceram de avisar para não esculachar seus funcionários. Deu no que deu.

Horas depois dos editoriais inflamatórios, repórteres e fotógrafos foram as vítimas de maior, digamos, prestígio. Presos, espancados, alvejados na cara, internados. Um menu farto de agressões ao corpo e ao livre exercício da imprensa. O rosto e o relato da repórter da Folha Giuliana Vallone tornaram-se testemunhos de uma polícia desfigurada. Tão grave que até os antes raivosos veículos (sem se desculpar pela incitação) tiveram que reconhecer. A PM passou de todos os limites.

Então, qual atitude o governo toma para evitar o mesmo desastre nos protestos de segunda? Indentificar os jornalistas com um coletinho. Como um abadá que te livra de bala e borrachada no Trio Elétrico do Choque.

Nada mais natural vindo de um governo com arroubos fascistas – e acostumado com uma imprensa dócil. Em tese, é só manter a salvo os repórteres que amanhã a mídia amansa. Talvez no século 20, governador…

Alguém explica para a mula nazi do Geraldo que hoje em dia não precisa ser fotógrafo para andar com uma câmera? Que não precisa ser repórter para relatar ao mundo o que você viu. Que não precisa trabalhar em um veículo para desmentir a versão estatal da realidade.

Alguém avisa o Geraldo, a anta do Grella, que foi justamente esse povo, que não vai ganhar coletinho amanhã, que registrou tudo na quinta? Que deixou seu governo sem espaço para desmentidos. E que, sentindo-se empoderado como nunca, já está articulado para uma cobertura ainda mais Orwelliana no Largo da Batata.

É o cidadão multimídia que está transformando o conceito de jornalismo, e jornalista, em algo mais amplo, fluido, datado e, no fundo, interessante. Então fica a dica, Alckmin: se quiser impedir que a mídia apanhe de novo nos protestos, de uma instrução às tropas: não bata em ninguém. Porque liberdade de imprensa hoje, meu Füher, é simplesmente liberdade civil.

E se alguém da mídia for bocó o bastante para vestir a camisa, ou melhor, o abadá da bala, que fique à vontade. Vai virar foto, meme, símbolo de uma imprensa falida, que acha mais “seguro” se credenciar para cobrir a rua. Vai fazer papel de palhaço. Aliás, palhaço não… bobo da corte.

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Então, vinagre people, nos vemos logo mais. Precisando falar comigo, é só chegar. Estarei ali como jornalista, segurando uma câmera, no setor de imprensa, sabe? Mais conhecido como Largo da Batata.

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