Drogas/Política

“Não tinha algo melhor para protestar?” Não

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Amanhã, em São Paulo, tem uma das manifestações mais importantes do Brasil. E uma das menos compreendidas. A Marcha da Maconha.

Todo ano, todo manifestante escuta a mesma ladainha:
“Tanta coisa importante para protestar, e esse bando de vagabundo querendo fumar maconha. Porque não protestam em nome da educação, contra a corrupção, contra a violência?”

Já disse e escrevi sobre isso muitas vezes. E não me canso de explicar:

Lutar pela legalização da maconha não é simplesmente lutar pelo direito de fumar maconha. É lutar, exatamente, por uma sociedade mais justa, segura, informada, saudável e honesta. Principalmente em tempos como o nosso, de um sombrio avanço conservador e falso moralista.

A proibição da planta, e a sedimentação de ideias preconcebidas sobre ela, transcende muito a mera questão do uso dela como droga. Para mim, a ilegalidade da maconha é um dos maiores símbolos da miopia, da hipocrisia e da irracionalidade coletivas.

– Transforma a produção e o comércio de uma droga apreciada por milênios em monopólio criminal. De uma planta aliada, a maconha se torna grande financiadora da violência, da corrupção policial. Pessoas sempre usaram e continuarão usando maconha. Não é o usuário quem financia o tráfico. É a proibição. Legalizar a maconha é ter mais segurança pública.

– Encarceramos milhares de pessoas, a maioria jovens, desproporcionalmente negros. Abarrotamos cadeias, destruímos vidas, gastamos bilhões com repressão para conter uma falsa ameaça. Damos lastro ao racismo, à violência policial, à arbitrariedade de um judiciário moralista e ignorante sobre o assunto. Legalizar a maconha é, antes de tudo, questão de direitos humanos.

– Uma droga segura, pouco tóxica, perde qualquer controle de qualidade. Não conseguimos regular o comércio nem estabelecer regras para quem, e onde, pode-se consumi-la. A maconha se torna apenas mais um item na mão de comerciantes de drogas mais pesadas e perigosas. A porta de entrada para as outras drogas não é a maconha. É a boca de fumo. Legalizar a maconha é proteger quem usa e quem não usa.

– Privamos a sociedade de uma medicina poderosa e extremamente versátil. Ansiolítica, boa contra bronquite, antidepressiva, analgésica, eficaz no tratamento de diversos tipos de câncer, desperta o apetite em pacientes que sofrem com náuseas de quimioterapia e atenua reações adversas de outros tratamentos severos. A maconha pode, inclusive, ser uma ótima forma de tirar usuários de crack da dependência. Em nome de um tabu, privamos milhões de pessoas de alívio e cura. Legalizar a maconha é uma questão de saúde.

– Eliminamos o cânhamo como uma fantástica matéria prima industrial. Fibras, tecidos e papéis de alta qualidade, óleos e combustíveis, alimentos… Legalizar a maconha é estimular a economia.

– Impedimos que adultos tenham liberdade sobre seus corpos e consciência ao decidirmos quais substâncias eles podem ou não utilizar. Legalizar a maconha é uma questão de liberdade e respeito.

Tudo isso para dar um recado simples:

Você não precisa fumar. Você não precisa nem gostar de maconha para entender que o problema também é seu. E que a proibição não é uma causa só de quem fuma. Ao contrário… ao proibirmos a maconha, ela deixa de afetar apenas a vida de quem usa. Afeta a vida de todos nós.

Vejo você amanhã, a partir das 14hs, no vão livre do MASP, certo?
Eu vou estar ali no canto, ajudando na Ala dos Psicodélicos.

Bora fazer a maior Marcha da Maconha que São Paulo já viu.

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